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Sem tempo para envelhecer

O que aproxima um grupo de mulheres?

O que existe de comum entre elas?

O que move uma mulher que não olha para o tempo que passa?

Ele passa, mas afinal, como o tempo passa pra ela?

TEXTO JULIANE GUZZONI FOTOS JOÃO PAULO SANTOS


Já faz tempo que entendemos – e se não entendemos estamos atrasados – que não é mais possível colocar a mulher numa caixinha, ou defini-la por um rótulo. Se tem algo que a mulher tem como identidade é a capacidade de se renovar, de se reconstruir. “REINVENTAR-SE” é a expressão e a escolha que mais se aplica.


A reinvenção e o prazer em redescobrir-se foram os temas que colocamos na mesa, num encontro prá lá de descontraído, que reuniu mulheres que já chegaram ou que se aproximam da chamada “meia idade”, quando se está ao redor dos 50 anos, uma fase em que elas têm se mostrado bem resolvidas, economicamente ativas e muito seletivas em suas escolhas. Um cenário bem diferente do que se viu especialmente na primeira metade do século XX, quando o papel feminino praticamente se restringia aos cuidados com a casa, os filhos e a família. Estereótipos que nas últimas décadas foram nocauteados.


Um café da tarde virou um banquete de experiências reveladas por mulheres que têm muita história para contar e continuam escrevendo o roteiro dos próximos capítulos e cheias de inspiração.


Quarenta anos atrás, uma mulher de 50 era uma ‘senhorinha’, uma vovó e algumas não viviam muito além disso. Não é exagero afirmar que os 50 de hoje, para muitas, é apenas o começo de um novo ciclo e um ciclo muito produtivo.


Tem sido assim com a Andrea Tel, que aos 52 anos é reconhecida como uma influenciadora de estilo de vida saudável. Casada desde os 17 anos, foi mãe muito jovem e escolheu se dedicar à casa e à família em tempo integral. Ao ver os filhos crescidos saírem de casa, ainda olhando para a família, ela ampliou o campo de visão. Quando soube que seria avó, aos 49, e em meio à pandemia da Covid-19, ela foi para a máquina de costura, de onde saiu boa parte do enxoval do primeiro neto. A partir dali começou a fazer cursos, produzir peças para casa e se especializou em “mesa posta”. A casa e a família mais uma vez em evidência fizeram dela uma empreendedora. Ela conta que montou uma loja online e vendeu muito naquele período em que as famílias praticamente não saiam de casa. Foi neste mesmo período que passou a usar as redes sociais para falar de uma outra paixão que sempre esteve muito presente em seu dia a dia: os cuidados com a saúde. Andréa é uma atleta, seja na academia, nas corridas, numa quadra de areia, ela está sempre em movimento, o que justifica o corpo saudável e na medida certa. Com essa presença no mundo digital, não demorou para virar uma inspiração para outras pessoas. Foi assim que nasceu a @angelfitness, o perfil onde compartilha seus hábitos de saúde, bem-estar e os treinos diários que incentivam outras mulheres a entrarem na linha.


“A saúde e os cuidados fizeram de mim uma avó presente e cheia de vida. Eu não me preocupo com a idade, não fico olhando no espelho e procurando procedimento estético. Meu foco é a saúde e o bem-estar”. (Andrea Tel)


E é exatamente isso que tem feito muita gente acompanhar a rotina dela e tê-la como exemplo de vitalidade, alegria e disposição. Atributos que não faltam para a anfitriã deste encontro. Sula Culti, que abriu as portas da sua casa para essa conversa. Ela é proprietária de uma das lojas mais antigas de Maringá, a Dida Su. Dona de uma elegância ímpar, aos 68 anos ela lembra que ainda jovem, quando os amigos estavam indo para a faculdade ela já queria empreender. “Eu queria ir para o comércio”, diz ainda com empolgação. “Como minha mãe costurava, eu sempre tive um olhar voltado para a estética e sempre tive paixão pela moda”. Aos 24 anos ela abriu a primeira loja, junto com a mãe, uma boutique com atelier onde também faziam roupas sob medida para que a cliente pudesse ser atendida da melhor maneira em suas necessidades. A loja que este ano completa 45 anos passou por várias mudanças e se mantém atual. O segredo? “Eu sempre fiz tudo com muito amor”, destaca.


Estar cercada de pessoas para uma boa conversa, e de alegria para compartilhar a vida é uma das paixões de Sula Culti, que este ano completa 69 e se prepara para os 70, em 2024. “Se Deus me der vida, vamos ter festa! Eu adoro comemorar aniversário, a idade não me incomoda nem um pouco”. Sula representa bem as mulheres que passaram dos 60 e não apenas não se veem na terceira idade como estão completamente fora do “estereótipo” da chamada pessoa idosa. Ela continua fazendo planos, repensando a loja e com um olhar cada vez mais apurado.


“Eu acho bonito envelhecer. A história fica marcada no nosso rosto. Às vezes me olho no espelho e vejo que meu corpo mudou, mas isso não me incomoda, nem um pouco”. (Sula Cult)


Mais uma xícara de chá, outra fatia de bolo e um novo assunto. O enredo naquela mesa, cheia de histórias, memórias e tantas lições, instiga o olhar daquela que ainda ronda os 50.


Prestes a completar 42 anos, atenta aos detalhes daquela conversa, a consultora de Branding e gestão de marcas, Lorena Nazário se encanta com os relatos. “Não parece que temos idades diferentes”. Esta foi uma das grandes lições compartilhadas naquela tarde. Para a mulher em movimento, aquela que faz planos, que tem sempre um novo projeto, o tempo é mesmo abstrato, não depende dos dias ou das horas que correm. Pode ser um marcador, um cronômetro, mas já não define quem somos, porque cada vez mais a ideia de que “podemos ser o que quisermos ser em qualquer tempo ou lugar” faz sentido. Claro que tudo depende de como nos propomos a construir nossos projetos. Embora afirme que não se preocupa com o passar dos anos ou a contagem do tempo, Lorena acredita que chegou muito feliz aos 40 anos. “O que mais mudou foi que passei a me respeitar mais, hoje respeito meus limites e sou muito seletiva principalmente ao escolher como vou selecionar melhor onde eu gasto o meu tempo que é o nosso bem mais precioso. E me sinto muito bem preparada para chegar aos 50. Estou me cuidando para chegar com a cabeça boa, corpo saudável e mente sã”.


É fato que a medicina e a ciência voltada para vitalidade trouxeram grandes contribuições, não apenas para a longevidade como também para a estética. A verdade é que para a mulher, em sua plenitude, os cuidados com a saúde são prioridade e, muitas vezes, mais ainda do que a estética.


“Sabemos que temos mais longevidade e eu quero chegar aos 70, 80, bem-disposta e cuidada, mas sem excessos. Eu sou vaidosa e me cuido para ficar bem e envelhecer bem”. (Lorena Nazário)


Se a Andrea é uma referência quando se fala em estilo de vida saudável, aquela mulher que não abre mão do esporte, do cuidado com a saúde do corpo e da mente, e procura levar essa mensagem a outras mulheres, a Sula também teve seu momento “atleta”. “Quando eu fiz 60 anos comecei a treinar corrida, cheguei a correr os 10K da Prova Rústica Tiradentes em Maringá. Achei que não era possível, mas consegui, foi incrível”. Hoje ela segue com as caminhadas diárias. A Lorena percorre o mesmo caminho, não abre mão de atividade física e como o envelhecimento afeta não apenas o corpo ou a aparência, ela tem a preocupação de estar sempre aprendendo, nesse sentido a profissão tem sido uma aliada. “Eu trabalho com empresas de vários setores, preciso me desenvolver todos os dias e isso me mantém ativa e saudável”. Os 40, para muitas mulheres, especialmente as que são mães, representam um período de maior estabilidade emocional e profissional. Em geral é uma fase muito ativa em que os filhos já não dão tanto trabalho. “Eu estou exatamente nesta fase. Consigo administrar os filhos, ter tempo de qualidade com meu marido e aproveitar bons momentos com amigos”, diz em tom de conquista. Apesar de considerar que está numa das melhores fases da vida, ela acredita que vai chegar ainda melhor aos 50. “Não fico fazendo planos, mas estou sempre me atualizando, adoro aprender e acho que estou no caminho certo”.







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