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ROBERTO COHEN

Sabe aqueles casamentos nababescos e surreais que a gente vê na Vogue? Pode ter certeza que muitos deles foram organizados por Roberto Cohen, o assessor e cerimonialista dos famosos. Durante seus 30 anos de carreira já se casaram com ele nomes como Carolina Dieckmann, Geórgia Wortman, Juliana Paes, ísis Valverde, Paulo Gustavo, Fátima Bernardes e William Bonner, Mario Lucio Vaz, Lívia Rossi, Caio Blat, Kaka Bueno e Marcelo Serrado, Zeca Pagodinho e muitos outros.


Este carioca da gema, nascido em 1962 e dentista por formação, esteve aqui em Maringá para um workshop organizado pelo Núcleo de Assessores de Eventos Sociais. A WIT estava lá e emplacou uma exclusivíssima. Na entrevista ele conta pormenores de sua profissão e como a importância do assessor de casamento foi reconfigurada com o passar dos anos.


 

[WIT] Nomes como Carolina Dieckmann, Caio Blat e Zeca Pagodinho já estiveram debaixo da sua responsabilidade como assessor e cerimonialista. Você deve essa incursão na cena dos famosos ao convite recebido da Globo para fazer a cenografia da minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos?


[COHEN] Eu costumo dizer que trabalhar para artista no Rio de Janeiro é uma questão geográfica. A Globo está aqui, os artistas estão aqui. Encontramos eles nas feiras, nos supermercados. Meu primeiro casamento foi de uma modelo, Geórgia Wortman, e após este vários sucederam. O mais importante é que se você olhar pela minha história não vai me ver em fotos expondo meus clientes, eu uso de extrema discrição e isso é muito importante para as pessoas desse estratos social. Os famosos são uma comunidade, eles falam um paraooutroqueoCohenétudodebome assim minha incursão nesse cenário aconteceu naturalmente. A imprensa fica me ligando e pedindo informações, mas eu nunca tenho muito a declarar.


[WIT] A colunista Hildegard Angel te descreve como tendo sangue frio na administração de crises e sempre sorrindo com uma fleugma britânica. Quão necessário são estes atributos para um bom assessor de eventos?


[COHEN] Isso é fundamental. isso é o ‘bê-á- bá’ do assessor. Não existe glamour nenhum em ser assessor, o bom cerimonilista é aquele que não manda, ele sugere e faz acontecer de forma natural. Eu já tive que administrar crises das mais intensas em uma festa, como um palco que caiu e até a morte da vó da noiva em um toilet. Tudo aconteceu de forma como se nada tivesse acontecido. Se o assessor demonstra pânico a equipe também vai entrar em pânico, o que pode pôr tudo a perder.


[WIT] Você conta que no início até mesmo sua mãe Dirce costurava com você para algumas produções, quando não existiam os decoradores. Como foi este início?


[COHEN] Antigamente me chamavam muito mais para organizar do que para dar muitas ideias. As festas eram muito simples, tinha o buffet, a mesa, a toalhinha de renda e pronto. Depois os clientes foram ficando cada vez mais exigentes, querendo trocar as cadeiras, as toalhas, o paisagismo, iluminação e uma série de detalhes. Como a decoração hoje em dia é uma verdadeira arquitetura, o cerimonialista fica muito mais nos bastidores do que na criação visual. O cerimonialista que tenta fazer decoração e cerimonial não consegue fazer duas coisas bem. É como um médico que queira ser clínico geral, cirurgião, ortopedista e dentista ao mesmo tempo.


[WIT] Qual foi o impacto de ter visto desde a infância sua mãe costurar vestidos de noiva ao decidir sair da sua clínica de odontologia e assumir uma profissão muito mais festiva?


[COHEN] Meu pai trabalhava em uma loja de tecidos e minha mãe fazia vestido de noiva, mas isso não teve impacto nenhum, não foi fator determinante na escolha da minha profissão. Eu costumava dizer que eu seria um profissional liberal para, inclusive, trabalhar até sexta-feira e ter todos os finais de semana só para mim. Resultado: cuspi pra cima caiu na testa. A surpresa foi grande inclusive dentro da minha própria família, talvez se eu não tivesse chegado onde cheguei todos teriam dito “eu te disse”.


[WIT] Nascido carioca (1962) e criado em Copacabana. O Rio de Janeiro sempre foi o palco preferido das suas festas?


[COHEN] Tenho uma filha que mora nos EUA e vive chamando a gente para mudar pra lá, mas eu quero que o Rio e o Brasil melhorem, não quero sair daqui. Independentemente da segurança pública ou da economia do país eu sempre fiz casamentos de pessoas que escolhem o Rio para casar. O Rio tem uma diversidade imensa e possibilita que uma noiva case num palácio e atravesse a rua para fotografar na praia. Igrejas históricas e modernas. O Copa [hotel]. Enfim, eu sou fã do Rio e aqui sempre vai ser minha primeira opção.


[WIT] Nas palavras de Juliana Paes: “o que você faz, Roberto, é um grande espetáculo sem ensaio geral”. Cada evento é realmente único?

Ou os anos de experiência faz seu trabalho hoje ficar praticamente no piloto automático?


[COHEN] Cada evento é totalmente único, porque eu posso até dirigir os atores principais que são o noivo e a noiva... Posso dirigir os coadjuvantes, pais e daminhas. Mas eu nunca vou saber previamente quem são os 200 ou 300 figurantes. Não dá para achar que só porque escrevi o roteiro ele será seguido à risca. Existem casos excepcionais que sim, mas não é uma lei, pois a chuva pode atrasar, o fornecedor pode atrasar. Tem que ter muito sangue frio e dirigir a cena. O espetáculo não pode parar. Eu ainda sou tenso e nervoso em cada evento como se ele fosse o primeiro. Hoje em dia a tecnologia me possibilita ter mais controle da situação, apenas. Quando eu perder o nervosismo é hora de parar, porque perdeu a emoção.


[WIT] Você diz em seu livro que, por levar uma vida bem festiva, o que você busca nos momentos de lazer é mesmo a privacidade. Quem é e o que faz Roberto Cohen na intimidade?


[COHEN] Eu sou uma pessoa simples, apesar de gostar do que é bom. Eu como um ovo frito com arroz e feijão feliz da vida. Adoro ficar na cama assistindo uma boa mini série. Adoro ficar prostrado ao sol me torrando. Essas coisas simples me deixam extremamente feliz, muito mais do que ir a um restaurante chiquérrimo. Uma aglomeração de pessoas nunca será minha opção de lazer. Gosto de cuidar de mim, não pela estética, mas pelo peso, gosto de ser leve porque minha profissão exige leveza e agilidade. Gosto de comida simples e estar ao sol, pois nunca posso mesmo se faço casamento na praia. Em suma, encontro muito prazer fazendo tudo aquilo que não posso fazer enquanto trabalho.


[WIT] Aos seus olhos, quem casa quer...?


[COHEN] Quem casa com Roberto Cohen quer festa. Ao contratar um cerimonialista, paz. Quem casa quer casa, companheirismo, uma família, uma vida a dois, um sócio para atingir objetivos que não eram possíveis... Mas quem casa com Roberto Cohen quer paz para aproveitar um grande dia.




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