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RICARDO MICHELS

“Tropeiro velho sou um moço novo

Uma proposta te farei agora [...]

Me dá o cavalo e o arreio completo

Vou continuar no teu lugar tropeando”


TEXTO VINÍCIUS LIMA
FOTOS HUELBERTI FRANCO ALVES / ACERVO PESSOALOHARA

Estes versos de Teixeirinha, um clássico da música gaúcha e ícone da relação pai e filho, estão na voz de Ricardo Michels e nas notas de acordeon de Elói José Michels. A canção, intitulada Tropeiro Velho, destaca a transmissão de valores e tradições de pai para filho, bem como a passagem do tempo e a importância de honrar a memória e o legado dos que vieram antes de nós.


Filho de Elói José Michels e Neiva Senger Michels, Ricardo nasceu com a cultura germânica e tradição gaúcha no lar. Seus pais viviam em colônias alemãs em Santa Catarina, até migrarem para o norte do Paraná. Aos 5 anos de idade, a família mudou-se com ele para Maringá, sua cidade de criação e pela qual tem amor declarado.


Quanto de Elói há em Ricardo se não tudo? Exímio musicista, Elói também é um comunicador nato. Sua carreira na mídia iniciou com a TV Cultura, onde trabalhou até fundar sua própria empresa, a Módulo Propaganda. Pioneira em um mercado que não conhecia agências, com apenas 4 anos, em 1986, a Módulo levou Elói a ser destaque nacional do Prêmio Profissionais do Ano da Rede Globo, feito inimaginável para publicitários do interior na época. “Eu cresci dentro da agência vendo artistas trabalharem em uma época analógica, com desenhos à mão livre”, relembra Ricardo.


Com dom natural para as letras, Ricardo entrou na universidade de Jornalismo na concorrida PUC de Curitiba, mas acabou transferindo para o curso de Publicidade e Propaganda, onde poderia utilizar de forma mais ampla seus dons criativos. Quando se formou, em 1998, Ricardo já era redator na agência onde havia ingressado como estagiário 3 anos antes. Estabelecido em Curitiba e com uma carreira promissora, um convite do pai o tirou da zona de conforto.


Elói havia assumido a gestão da Expoingá, a tradicional feira agropecuária e industrial de Maringá que, à época, necessitava ser repaginada. Elói sugeriu ao filho que retornasse para assumir a coordenação de marketing da feira. “Foi um dilema. Eu estava em ascensão em Curitiba, mas decidi voltar. Sempre amei Maringá e estar próximo da família. A Expoingá seria também uma oportunidade para desenvolver todo o marketing mix e não apenas a redação na qual eu havia me especializado. Foi um grande aprendizado pra minha formação”.


Após grande reformulação, em apenas 3 anos a revolucionária gestão Michels levou a Expoingá ao ranking das 10 maiores feiras da América Latina. Um case histórico de sucesso. Com o fim do contrato com a Sociedade Rural de Maringá em 2004, Ricardo recebeu convites diversos, dando sequência à sua carreira como executivo de marketing no shopping Aspen Park (hoje Maringá Park Shopping). Neste período, iniciou também seu trabalho como professor universitário. “Eu adorava lecionar, ter o contato com os alunos e poder contribuir diretamente em sua formação de maneira prática, mas detestava montar planos de ensino e relatórios”, relembra entre risos.

 

A ARTE CORRE NA VEIA


Paralelamente à gestão de marketing de empresas, Ricardo trouxe à tona seu dom para arte por meio da produção de eventos. Ele criou labels que marcaram época, como o charmosíssimo Luau do Kicking, com 17 edições, e o Teraluna Festival, com 6 edições, trazendo artistas como Armandinho, Rael, Gabriel Pensador e Pitty. Participou ainda da produção de uma infinidade de outros eventos, incluindo apresentações em teatro com nomes como Guilherme Arantes e Oswaldo Montenegro.


Mas os bastidores dos palcos não são o suficiente para o filho de Elói. Ele, que desde criança fazia o entretenimento da família com dublagens e covers, encontrou sua virtude para a interpretação através do amigo e produtor Bem-Hur Prado, a quem tem imenso carinho e gratidão.


Até aqui, Ricardo participou de 7 espetáculos interpretando diferentes personagens, tendo inclusive atuado ao lado dos globais Felipe Simas e Julia Konrad. Um dos espetáculos que com certeza marcou a cidade aconteceu na lendária pizzaria Farol Brasil, uma casa de shows que, segundo Ricardo, era muito à frente de seu tempo: “a casa e o musical tinham em sua direção uma das pessoas com quem mais aprendi na vida, em uma relação de amor muito curiosa, pois eu e Ben-Hur somos imensamente diferentes e infinitamente iguais. A turma toda era maravilhosa, uma grande família com pessoas muito especiais pra mim. Aprendi muito com Thomé, Gravino, Ellen, Pedro Ochoa e todo o grupo”.


Participou ainda dos espetáculos “A Comédia do Casamento de Romeu e Julieta”, sucesso absoluto onde contracenava com sua esposa Fernada Sordi, e “A Secreta Obscenidade de Cada Dia”, peça de alta complexidade que o levou para o circuito de festivais no Brasil.


Porém, quem conhece Ricardo sabe que hoje um dos seus trabalhos de maior expressão artística está na música. Ele conta que sua primeira experiência em banda foi aos 17 anos, na Festa da Máfia no Country Club, em 1993, um ano antes de mudar-se para Curitiba. Ele retornou a este universo apenas em 2002, quando formou a Kicking Bullets de maneira totalmente despretensiosa. Levada inicialmente como hobby, a banda reverberou rapidamente, com destaque para a sua performance de palco como front man, o que levou o grupo a realizar mais de 300 shows e cativar uma geração.


Com a chegada da pandemia e o desejo de variar o repertório, fechou o ciclo com a Kicking em 2019 e assumiu seu nome artístico, criando o projeto Ricardo Michels e os Indomáveis. O salto foi imediato. Hoje, o espetáculo tem produção impecável em figurino, direção de cena, iluminação, músicos de altíssimo nível e repertório com mais de 70 músicas que vão do rock ao pop, do sertanejo ao samba, do forró à MPB. “Tem sido uma rotina super puxada, mas muito gratificante. Já chegamos a fazer 14 shows em um único mês. Nosso foco são eventos corporativos, empresariais, casamentos, aniversários... Já estivemos no Golf Club em São Paulo, resorts em Florianópolis e muito mais”, diz Ricardo, que completa dizendo: “tratamos toda a produção do show com muito amor. Para nós, não se trata de música, mas sim da construção de memórias”.


Com mais de 400 shows no portfólio como cantor, Ricardo já dividiu o palco com artistas como Capital Inicial, Paralamas do Sucesso, Humberto Gessinger e O Rappa. Presente em eventos cheios de estilo Brasil afora, a banda Ricardo Michels e os Indomáveis é uma banda para chamar de nossa. “Nós optamos por fazer apenas um show mensal em casas noturnas aqui em Maringá, e a escolha foi natural. O MPB Rock Bar faz parte de toda a nossa trajetória.  Na verdade, a minha história na música se confunde com a própria história do MPB. Lá eu me sinto em casa, somos tratados com imenso carinho. Tenho grande amor pelo lugar e por sua equipe, uma casa que oferece ótima estrutura para o desempenho do show e atendimento ao público com excelência”.


Ricardo Michels, um homem de infinitos adjetivos que não cabem em uma só matéria. Redator, Produtor, Cantor, Ator… Ele também é Compositor, com mais de 40 músicas já gravadas (em vias, pela primeira vez, de lançamento com divulgação nacional); Escritor, ele está neste momento trabalhando no texto de um novo espetáculo de teatro, a ser colocado em cartaz em 2025. Na comunicação, produz e apresenta há 6 anos o programa Indie Storm na rádio Mundo Livre FM, sucesso total de audiência. É também um dos maiores colecionadores de action figures do sul do país. E tem também seu trabalho como Modelo, uma “brincadeira” mais recente que o levou a estampar seu rosto e sorriso em campanhas para marcas como BMW, Calvin Klein, VR e Diesel.


Apesar de todos os adjetivos que o definem, Ricardo diz que o que mais lhe completa é o papel de pai. Junto de sua esposa e grande companheira Fernanda, teve a pequena Angelina e depois os gêmeos Alexandre Elói e Arthur Elói. “Hoje organizo a minha agenda de forma que possa participar ao máximo da vida familiar, ser paizão todos os dias, estar próximo de minha esposa e morrer de rir com a minha sogra Marli Ricciardi, a minha melhor amiga. Ao lado do meu pai e de algumas amizades maravilhosas que arrebanhamos por essa vida e que também considero uma família, eles constituem a minha base, o meu chão, a minha fortuna”.










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