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Palomara e Rodrigo

Na edição mais romântica do ano, a capa da WIT revela um casal pelo qual estamos apaixonados. Entramos na vida e intimidade de Palomara Silva e Rodrigo de Sá Gomes, para descobrir um mundo de cotidiano comum, entremeado de poderosas lições de vida


TEXTO VINÍCIUS LIMA FOTOS FERNANDO VINICIUS


Sabe aquela velha máxima de que os opostos se atraem? Há quem diga que esta lei universal se aplica apenas ao mundo da física, porém, basta entrarmos de leve no universo particular de Rodrigo de Sá Gomes e Palomara Silva para perceber que o contraste de suas personalidades é o tempero que adoça essa linda família, da qual fazem parte os pequenos Antônio (7 anos) e Raul (11 anos).


Recebido por eles em sua casa em uma belíssima tarde ensolarada do primeiro sábado de inverno do ano, entramos na vida e intimidade do casal sem pedir licença. A porta de entrada? Palomara, obviamente. Com seu otimismo irremediável, atitude entusiasta, jeitinho cativante e sorriso generoso, Palomara é daquelas pessoas que enxergam o mundo através das lentes de um óculos cor-de-rosa.


Rodrigo, por outro lado, é um rapaz que transparece calma já no primeiro aperto de mão. Silencioso e educado, ele geralmente fala quando é convidado para tal, revelando pensamentos de um habilidoso mediador. Sua habilidade para dissolver conflitos é tamanha que ele atua na sindicância do condomínio a três gestões consecutivas.


Enquanto jornalista, fico maravilhado com a possibilidade de me afastar da superficialidade e entender o ser humano de dentro para fora. Enquanto o mundo conhece Palomara como a advogada especialista em Direito Previdenciário e Rodrigo como Key Account Manager da Michelin, posso percebê-los diferente… Ela, uma mãe cheia de sonhos, ativa em suas múltiplas funções. Ele, um pai zeloso e presente como pouco se vê por aí.


Com o privilégio de trabalhar grande parte do tempo na modalidade home office, Rodrigo é quem assume o almoço diário das crianças, a logística de levar para a escola e até mesmo o auxílio nas tarefas escolares. Naquele bimestre Raul teve desempenho de 90% em matemática, orgulho pro pai que é formado em Administração pela UEM. Por outro lado, Palomara quase teve uma síncope quando o mesmo filho ficou em recuperação na disciplina de história. Normal!


Palomara, em sua rotina alucinada de escritório e de congressos nos quais participa como palestrante Brasil afora, confessa que encontra em Rodrigo um verdadeiro porto seguro, um apoio fundamental na alavancagem de sua carreira. “O Rodrigo me dá asas para voar”, declara. Casados há 14 anos, este padrão de cuidado paterno esteve presente em momentos cruciais de uma vida que, afinal, é verdadeira e com solavancos como todas as outras. “A vida não é linear, nesses 14 anos muita coisa aconteceu, perdi meu pai, nossos dois filhos vieram prematuros, mas o Rodrigo sempre estava ali, presente e com essa calma”.


UM INÍCIO NO NITE

Quem diria que Rodrigo e Palomara se conheceriam em pleno Nite Club, famosa balada que durante anos dominou o entretenimento noturno na cidade. Ele, bem tranquilo em seu canto, e Palomara toda expansiva, quase que a dona da festa. Mas foi ela quem mirou para ele e pediu para sua amiga em comum, Andréa Tribulato, vestir o papel de cupida. Rodrigo, por outro lado, diz que sua lembrança de Palomara remonta a datas mais antigas, quando ela desfilava nas passarelas do Maringá Park Shopping (na época Aspen Park) enquanto ele trabalhava na auditoria das lojas do shopping.


Do encontro arquitetado por Andréa surgiu um relacionamento à distância, em uma época em que WhatsApp inexistia, e videochamada só por computador. Isso porque Rodrigo já trabalhava na Michelin, em filial de Porto Alegre. “Por ter família em Maringá eu voltava com muita frequência, foi o que tornou nosso relacionamento sustentável”, explica Rodrigo. O casamento veio apenas dois anos após o início do namoro.


Se ao leitor soa precoce um casamento construído durante um namoro à distância, para mim parece que foram predestinados. Eu, que sou apegado a nomenclaturas e significados de todas as coisas, não resisto e vou logo ver o significado dos nomes Rodrigo e Palomara, e qual minha surpresa ao perceber que o nome dela descreve ele, e o nome dele descreve ela. Sim, Palomara deriva de Paloma, que significa pomba, o maior símbolo de pacificador e de paz. Já Rodrigo tem origem germânica e é a combinação dos elementos hrod (glória, fama) e ric (senhor, rei ou poder), Interpretado como “senhor glorioso” ou “poder famoso”. Isso não é incrível?


Mas para ser justo com o casal, preciso dizer que eles têm, sim, algo de muito comum: a honra às suas raízes familiares. Não existe nenhum acaso no fato de Palomara ter escolhido para a vida a mesma carreira da mãe, que é advogada, assim como Rodrigo foi parar nas cadeiras de administração da UEM, onde o pai lecionou durante anos, aposentando-se com 72 anos de idade.


No tributo às suas origens, Palomara foi ainda mais longe. Nos congressos sobre direito previdenciário nos quais participa como palestrante, usa sua própria história como tataraneta de escrava para ensinar advogados do país inteiro sobre como utilizar vias legais para ajudar trabalhadores do campo a se aposentarem, em um cenário que é tão difícil provar vínculo empregatício ou tempo de trabalho. “Não adianta ter milhões de certificados se você não honra mãe e pai, e isso eu acredito ter valia dentro de qualquer profissão”, diz emocionada.


Na iminência de lançar um livro com o título Segurado Especial e Suas Raízes, Palomara traz neste registro a história de centenas de pessoas que ajudou a alcançar a tão sonhada aposentadoria. “Nunca vou me esquecer de uma mulher que aposentei, que disse que para trabalhar na roça precisava amarrar seu bebê com uma cordinha de sisal em uma árvore próxima, de modo que ela pudesse ouvir o choro e ir dar de mamar”, e completa dizendo: “Se você se sentir cansado um dia, olha pra sua mãe, olha para seus antepassados, você vai encontrar uma força sobrenatural através deles”.


Ao fim desse papo delicioso com o casal, me despeço com uma leveza diferente, que em nada tem a ver com o sábado maravilhoso que ainda brilhava lá fora. Parece-me apropriado terminar a matéria parafraseando Renato Russo: “E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”.













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