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O caminho para ASPEN

A maioria das pessoas que desembarcam em Aspen, um dos mais badalados destinos do mundo para prática de esqui e esportes de inverno, chegam por via aérea em alguns dos aeroportos que servem a região… Não é o caso de Silvinho Iwata e Vanessa Ferraz, que decidiram cruzar o deserto americano de Jeep, em uma jornada que durou 14 dias e cujo relato completo foi dado com exclusividade para a WIT

TEXTO VINÍCIUS LIMA FOTOS ACERVO SILVINHO IWATA


A pequena cidade de Aspen, localizada no Estado do Colorado, Estados Unidos, é muitas vezes considerada um resort, tamanha sua fama mundial, que se estende para muito além daqueles que são amantes de esportes de inverno. Destino cativo das celebridades, Aspen é formada por 4 montanhas próprias para prática de esqui e snowboard, e contém uma gama crivada de restaurantes e boutiques sofisticadas. Todavia, não foi o glamour de Aspen o fator determinante para que Silvinho, Vanessa e seu filho Joaquim escolhessem tal roteiro para suas férias de verão.


Como toda viagem em família, o maior desafio é encontrar um destino e uma programação que atenda aos gostos particulares de cada integrante ou, noutros termos, que agrade gregos e troianos. Na expectativa da primeira viagem internacional em família após anos de “molho” em virtude da pandemia, o desafio era conciliar o desejo de Vanessa de visitar a Las Vegas Market, maior feira do mundo de tendências e lançamentos do mercado de colchões; o desejo de Silvinho de colocar um jeep em trilhas de aventura; e o sonho de Joaquim de ver neve pela primeira vez.


Após meses de um planejamento meticuloso e de uma organização virginiana de Vanessa Ferraz (sim, com direito a planilha do excel e tudo), a família decidiu que as férias de verão 2023 seriam no frio inverno do hemisfério norte. Eles desembarcaram em Las Vegas e mergulharam em uma viagem de 2.700 milhas (mais de 4 mil quilômetros) pelo deserto oeste americano, passando pelos Estados de Nevada, Utah, Arizona e Colorado até chegar ao destino final em Aspen, uma viagem que totalizou 14 dias.


FASE UM: LAS VEGAS

O desembarque da família em Las Vegas foi estratégico. Além de Vanessa usar suas férias para se atualizar com as novidades apresentadas na Las Vegas Market, foi lá que eles compraram roupas de inverno e equipamentos de snowboard para logo mais enfrentar o frio muito mais rigoroso de Aspen. Foi uma escolha muito acertada, haja visto que em Aspen os preços são astronômicos e, segundo eles, é raríssimo encontrar aluguel de itens que não sejam essencialmente esportivos. “Você encontra bota, prancha e capacete para alugar em Aspen, todo o restante como blusa, calça térmica e óculos tem que levar”, explica Vanessa.


A estada deles em Las Vegas foi de 4 dias, tempo suficiente para as compras, para um passeio pela face oeste do Grand Canyon, para curtir um show de Bruno Mars, do mágico David Copperfield e para alugar o Jeep que os faria prosseguir na viagem. Dica: dificilmente você encontrará um carro off-road disponível para aluguel nas tradicionais redes de rent-a-car presentes em aeroportos, a solução encontrada por Silvinho foi utilizar o aplicativo Turo, uma rede de compartilhamento de carros que te permite alugar diretamente do proprietário. A desvantagem é que, ao final da jornada, eles tiveram que fazer todo o percurso de volta para devolver o carro novamente para o dono, em Las Vegas, ao invés de voltar ao Brasil pelo aeroporto de Denver.


FASE DOIS: KANAB

Apenas uma hora e meia de carro separa Las Vegas, a cidade da vida noturna vibrante, do Estado de Utah, inteiramente colonizado pelos ortodoxos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecidos como Mórmons. A religião é tão presente na cultura de Utah que as bebidas alcoólicas são comercializadas pelo próprio governo, em “vendas” anexas aos postos policiais. O Estado de Utah, porém, conserva em sua natureza desértica paisagens tão magníficas que se tornou unânime entre a família Iwata como um destino que merece ser revisitado.


A primeira parada do grupo foi em Kanab, uma cidade localizada no Condado de Kane, Utah. A região é tão exótica em sua aparência, tão surreal em suas formações rochosas vermelhas – cujas formas se assemelham ao movimento das ondas do mar – que o local ganhou fama mundialmente através de uma conhecida tela de descanso do sistema operacional Windows. Apesar da fama global, as informações turísticas para quem quer visitar Kanab são extremamente raras na internet, e praticamente inexistentes em português. “Eu passei meses lendo blogs de nativos e passei a seguir diversos perfis de influenciadores de trilha no Estado de Utah”, relata Vanessa.


Em suas pesquisas, Vanessa encontrou diversas agências de turismo locais que organizam a visita a estes monumentos naturais. Na verdade, é indispensável que o grupo esteja assessorado por uma agência, pois as leis ambientais locais permitem um número extremamente reduzido de visitantes por dia nesses parques: 10 pessoas em The Wave e 20 pessoas no Peek-a-boo slot Canyon. Outro detalhe crucial: a seleção das pessoas que vão visitar estes monumentos é feita através de sorteio e, sim, pode rolar de você não ser sorteado.


No caso da família Iwata, a sorte não estava a seu favor para conhecerem The Wave, porém foram selecionados para visitar o Peek-a-boo slot Canyon o que, segundo eles, veio muito a calhar, já que a trilha de 5 km foi suficientemente cansativa (a trilha para The Wave teria sido de 20 km).


O fato de ser inverno também colaborou para que eles conseguissem ser sorteados logo no primeiro dia da estada em Kanab, porque o turismo dessa região é efervescente mesmo durante o verão do hemisfério norte. Tanto é que uma simples nevasca poderia fechar o parque nacional e cancelar os planos da família. Além disso, muitas “amenities” como o aluguel de UTV (uma espécie de quadriciclo) é simplesmente fechado durante o inverno, conforme eles perceberam ao chegar lá..


O Peek-a-boo slot Canyon, como o próprio nome sugere, é formado por estreitas fendas entre montanhas de arenito, que se esfarelam ao menor toque das mãos. As fotos parecem claustrofóbicas, mas eles juram que pessoalmente não há nada de opressor, ao contrário, é mágico. Após uma manhã de fotos dignas de bancos de imagens, eles seguiram de Jeep para o Zion Park, onde passaram a tarde.


O Zion Park é outro parque nacional, de dimensões astronômicas, onde é possível acessar de carro e passar por uma rede infinita e caótica de estradas e trilhas não asfaltadas. “Onde quer que você olhe, onde quer que você pare, tudo neste parque é muito lindo. Muitas pessoas vão para lá acampar e fazer trilhas, algumas são possíveis fazer em horas, outras de dias, e tem trilhas que levam meses para atravessar; e no verão também é possível praticar Rafting em um rio que corta a região”, diz Silvinho.


Ao todo foram 3 dias e duas noites em Kanab, de onde partiram rumo a Moab, passando por Page, onde visitaram o Antelope Canyon e fizeram a famosa Trilha do Índio, onde foi capturada a imagem do famoso wallpaper do Windows. Também em Page, pararam no meio da rodovia para uma foto do Oljato-Monument Valley, montanhas que se tornaram famosas devido a uma cena do filme Forest Gump em que o protagonista corre no meio da estrada.


Sobre as estradas dos Estados Unidos, vale uma nota: Silvinho relata que, além de serem impecáveis e com pouquíssimas curvas, a velocidade permitida de 80 milhas por hora (aproximadamente 130 km/h) torna possível cruzar 400km em apenas 3 horas.


FASE TRÊS: MOAB

Moab, outra cidade do Estado de Utah, foi colocada na rota da família Iwata por um motivo: por estar no ranking das “Best Off-Road Trails” (melhores trilhas off-road) do mundo. Lá, eles tiveram que alugar outro Jeep para esta aventura, porque o Jeep alugado em Las Vegas não possuía seguro para trilhas off-road. E não vale trapacear, pois o carro deles era rastreado pela Apple AirTag, um rastreador de precisão milimétrica.


Silvinho relata que o proprietário do Jeep alugado em Moab emprestou um livro que é uma espécie de almanaque com mais de 500 páginas com centenas de rotas de trilhas locais. Este livro se tornou um “gadget” indispensável, já que nem mesmo o Google Maps funciona naquelas regiões isoladas do deserto. “E se acontecesse algum acidente, como chama ajuda?”, pergunto. “Cara, só vai”, responde Silvinho, que claramente gosta de conservar um pensamento otimista sobre todas as coisas.


O fato é que eles tiveram a prudência de encarar as trilhas de nível iniciante, ainda assim, ao ver os vídeos do carro a centímetros de abismos e desfiladeiros, nos faz questionar qual o grau de dificuldade das trilhas de nível avançado.


A estada em Moab foi de apenas uma noite. Os planos iniciais de visitar os Parques Nacionais dos Arcos e Canyonlands, onde existem diversos arcos de formação natural, ficaram para trás e eles pegaram a estrada mais cedo rumo a Aspen. “Nós, porém, queremos voltar, estamos apaixonados pelo Estado de Utah”, declara Vanessa.


FASE QUATRO: ASPEN

Já no caminho para Aspen é possível ver a paisagem ir aos poucos se convertendo de vermelho para branco. Eles chegaram por volta de 11h da manhã, estacionaram o carro no centrinho e logo foram almoçar. Em Aspen não existem redes de fast food como McDonald’s e IHOP (aquela que serve panquecas 24 horas e é especializada em café da manhã americano), os restaurantes são todos “grifados” por assim dizer, e carecem de reserva antecipada, principalmente para o jantar e, neste momento, ter o grau de organização de Vanessa Ferraz pode fazer toda a diferença.


Ainda em Moab ela acessou o opentable.com, maior site americano para reserva de mesas em restaurantes. No site, porém, todos os restaurantes de Aspen apareciam como esgotados. Persistente como só ela, através do telefone fixo do hotel ela ligou para vários restaurantes, e todos eles caíam diretamente na secretária eletrônica, que a convidava para deixar um recado. Após esse padrão se repetir algumas vezes, Vanessa resolveu deixar o tal recado, em inglês obviamente, pedindo uma reserva e soletrando seu e-mail. Pasme: TODOS os restaurantes enviaram e-mail, e por e-mail ela fechou todas as suas reservas. Primeiro mundo né gente! Onde tudo funciona sem WhatsApp.


Um dos restaurantes mais concorridos no qual eles jantaram foi o French Alpine Bistro, um restaurante de gastronomia francesa pequeno em tamanho, gigante em prestígio. Se o French Alpine Bistro é a opção mais romântica para um jantar a dois, o melhor chocolate quente da cidade está na Paradise Bakery & Cafe. Na verdade, Aspen é isso, um pequeno conglomerado de lojas de grifes internacionais e um acesso muito facilitado às 4 montanhas que compõem as áreas esquiáveis. Para traçar um comparativo: diferente do Valle Nevado no Chile onde um transfer leva mais de uma hora para nos levar até as montanhas de esqui, em Aspen as montanhas estão “na cara do gol” literalmente, como é o caso da Aspen Mountain, que fica no centro da cidade. Outras opções de estações de esqui são Buttermilk, muito indicada para iniciantes ou para família; Snowmass, cuja área esquiável é gigante, maior do que a soma das outras três montanhas; e Aspen Highlands, localizado na Highland Peak e Loge Peak ao norte de Aspen. Ao todo foram 4 dias em Aspen, onde a predileção da família Iwata foi pela estação Buttermilk, onde contrataram aula de snowboard para o Joaquim.


Os melhores meses para visitar Aspen são dezembro, janeiro e fevereiro. Se você quiser mergulhar nessa aventura pelas montanhas de Colorado, não se esqueça de reservar seu hotel com bastante antecedência, as opções são grandes, mas também concorridíssimas.












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