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Amandinha Freitas

Invadimos a vida e o closet de Amandinha Freitas, uma jovem prodígio do universo fashion, que aos 29 anos possui 2 marcas sob seu comando e que caiu nas graças das fashionistas com sua maravilhosa costura sob medida


TEXTO VINÍCIUS LIMA FOTOS HUELBERTI FRANCO ALVES

Há mais de uma década, quando tinha apenas 15 anos de idade, Amandinha abria seu primeiro CNPJ. Já seria um mérito muito grande o fato de ser uma adolescente empreendedora, mas o que realmente nos surpreende é o fato de que ela encontrou sucesso (e muito) fazendo roupas sob medida em um mundo tomado pela onda consumista das fast fashions e pela invasão chinesa com produtos assustadoramente baratos. Na contramão de tudo isso, Amandinha já disseminava lá atrás conceitos altamente presentes e atuais, de uma moda sustentável, atemporal, e produzida com as mãos de talentos locais.


De personalidade radiante e espírito livre, Amandinha deixa seu rastro de ebulição criativa por onde passa. Em seu apartamento, uma cobertura com vistas privilegiadas do Parque do Ingá, nos deparamos com sua arte em múltiplas formas, não apenas na moda: no álbum de fotos feito de papel e fita de seda, na escultura feita com casulos de bicho-da-seda, nos livros que ganham nova tridimensionalidade por meio de suas dobraduras, nas fitas que adornam velas natalinas… Um lado artístico que tem suas raízes claramente definidas: sua mãe.


Filha de Antonio e de Soraya, Amandinha é a mais nova de 3 irmãos. Nascida e crescida em Londrina, ela conta que teve a sorte de ter pais incentivadores da curiosidade, da pesquisa e, principalmente, que respeitam a essência única de cada filho. Sua irmã mais velha seguiu os passos do pai na medicina pediátrica; seu irmão, um gênio desde criança, é um cientista atmosférico na Suécia; e Amandinha seguiu a veia materna através das artes. Psicóloga por formação, Soraya ama a arte em suas diversas formas de manifestação. Tanto é que, embora tenham decidido outros rumos para suas profissões, os irmãos de Amandinha também conservam seus talentos: Luna canta e toca piano e Gabriel toca mais de 10 instrumentos. “Meu pai e minha mãe nunca fizeram diferença entre os diferentes. Com um filho físico que mora na Suécia; uma médica intensivista que mora em Curitiba e uma filha estilista que mora em Maringá… Sempre tivemos muita força pra sair e nos aventurar”.


Apreciadora desta liberdade que recebe desde o lar materno, Amandinha tatuou uma frase atribuída a seu pai: “seja a aventura”, em seu corpo gravada em alemão, idioma no qual é fluente. Casada com Renato Bertocco, com quem está junto há 7 anos, conciliam sua vida conjugal com compromissos do trabalho que, hora leva ele para a fazenda – sendo ele agropecuarista e administrador de suas propriedades rurais –, hora leva ela para São Paulo e Londrina onde tem uma extensão do seu atelier.


A mesma intensidade e energia com a qual toca seus negócios, Amandinha canaliza em sua outra grande paixão: o esporte. Ela confessa que, antes de encontrar este equilíbrio, precisou escorregar muito, tendo vivido jornadas de até 18 horas de trabalho por dia para então perceber que precisava mudar sua própria realidade. No dia em que nos recebeu em seu apartamento, ela havia corrido 8 km em sua preparação para uma meia maratona, e ainda treinado musculação com seu personal, no mesmo dia! (Oi?) Ela também pratica tênis há 21 anos (e não hesitou em adiar nossa entrevista para participar de um torneio), faz meditação guiada, e tem um arsenal de profissionais que a ajudam em seu desenvolvimento físico: fisioterapeuta, nutricionista, professor de tênis, instrutor de corrida e personal trainer (cansei só de escrever).

 

LOOKING GOOD AND FEELING FINE

Amandinha não se lembra de um dia ter decidido se tornar uma estilista. O processo rolou de uma forma neutra e natural. A primeira vez que ela navegou pela criação de moda foi aos 14 anos quando, em uma viagem a Portugal com os pais, apaixonou-se por um biquíni de crochê que era muito maior que seu número. “Por que você não faz seu próprio biquíni de crochê?”, perguntou a mãe.


Então Amandinha trouxe o biquíni para o Brasil como referência para o modelo que logo depois fez para si mesma. Mas ela não parou no seu próprio biquíni, e começou a produzir para vender para as amigas na escola. Do biquíni migrou para os vestidos de crochê, depois fez um curso de corte e costura e passou a fazer seus primeiros vestidos em tecido plano, abrindo seu primeiro CNPJ com 15 anos de idade. “Quando precisei decidir qual faculdade fazer aos 16 anos, optei por administração de empresas, porque acredito que moda se aprende na prática”.


Paralelamente à faculdade de administração que cursou em Londrina, ela fez diversos cursos de criação e moda, como aula desenho técnico, aula de croqui, fez uma formação com o renomado Jum Nakao em São Paulo, aula de modelagem plana, de moulage, Desenho nas Belas Artes de São Paulo, e por aí vai.


Maringá entrou em sua vida na época do crochê, quando suas pesquisas por matéria-prima a levaram a conhecer O Casulo Feliz, essa fabulosa fabricante de seda orgânica que já brilhou na capa da WIT e hoje fornece para grifes de tarimba internacional. Seu envolvimento com O Casulo foi tão forte que ela se tornou uma colaboradora da marca, atuando na pesquisa e desenvolvimento de novos tecidos, e hoje até mesmo a Nóor, seu atelier sob medida, funciona dentro dos domínios da fábrica.


Além de peças sob medida, Amandinha lança de tempos em tempos coleções cápsulas sem estação definida. São peças atemporais e únicas em sua concepção, que trazem consigo seu principal diferencial: a inconvencionalidade dos seus tecidos. “Os tecidos são meu principal campo de pesquisa, é o tema sobre o qual tenho maior propriedade para falar, por isso imprimo nas coleções cápsulas da Nóor texturas e padronagens diferentes, não apenas com tecidos produzidos n’O Casulo, mas também importados de locais como Índia, Turquia e Dubai”.

m seu time de costureiras e artesãs, ela orgulha-se de dizer que faz parte a sua primeira tutora, a pessoa responsável por ensinar o ofício da costura quando era uma menina. “Tenho a sorte de ter anjos em toda a minha jornada profissional, pessoas que me ensinaram muito mais do que fazer roupas, me ensinaram sobre postura profissional, caráter e humanidade”.


Sobre o futuro, ela é taxativa: “não gosto de fazer planos a longo prazo, eu sei o que quero agora, porque vou colher no futuro o que planto no presente; por outro lado sou intensa e extremamente disciplinada, eu tenho meu plano de negócio traçado para 2024 inteiro, mas eu também curto a onda e me permito viver momentos que eu não sabia que iria viver”.










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