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Luke Abrão

Cosmopolita, sagaz, instigante e também misterioso, Luke Abrão despertou em nós o desejo de entrar na sua rotina e desvelar o que há por detrás da mente criativa do fundador da Netuno

TEXTO VINÍCIUS LIMA FOTOS JOÃO PAULO SANTOS


“Eu sei que tem pessoas que dizem que essas coisas não acontecem, e que isso serão apenas histórias um dia. Mas agora nós estamos vivos. E nesse momento, eu juro. Nós somos infinitos.” Que melhor declaração do que esta traduziria a poderosa oportunidade que temos, segundo após segundo, de viver intensamente o presente? Quaisquer que sejam as circunstâncias, estamos, afinal, vivos.


Do livro As Vantagens de Ser Invisível, um dos preferidos de Luke Abrão, este trecho denota um pouco da sensação que temos ao bater um papo com esta figura que desperta nossa imaginação apenas por se fazer presente. Filho de Paulo e Walderez Abrão, nomes muito conhecidos pela geração que viveu os tempos áureos do showbiz em Maringá, Luke tem uma voz profunda, de tom baixo (se você é coralista vai entender que baixo não diz respeito a volume, mas ao tom mais grave na classificação vocal), sua marca registrada!


Além das palavras, entregues sílaba após sílaba de maneira coordenada e coerente, tudo o que cerca Luke parece ter sido arquitetado em uma dimensão diferente, onde as ideias ganham um plano físico com velocidade que não experimentamos aqui na terra dos mortais.


Com 31 anos de vida, Luke há 8 já transformou em carreira seu dom natural para a criatividade, fundando a Netuno, uma agência de branding e de marketing que carrega o slogan “a wild mind and a disciplined eye”, detonando uma mente efervescente e um olhar apurado para o design.


Como tudo na vida tem um preço, não há mente brilhante que aguente um cataclisma criativo sem colapsar. Luke relata que investe na psicanálise há anos, uma forma de encontrar equilíbrio e também autoconhecimento, além de ser filho de uma influente psicanalista. “Tem gente que acha que ser filho de uma psicanalista significa ter uma mãe que nunca se irrita, praticamente vivendo um estado nirvana constante de autocontrole [risos]. Mas, na verdade, minha mãe é humana como nós, com a diferença de ser uma pessoa extremamente interessante pelo conhecimento profundo que tem sobre as coisas”.


Quem já passou pela psicanálise compreende que ela, de alguma forma, rege o cotidiano de Luke. Isto está evidente até mesmo no layout do seu apartamento, onde vive sozinho, e onde encontramos uma disposição formalizada de cada fase de seu dia. “No quarto eu não tenho TV, ali é meu santuário do sono; no espaço reservado ao escritório, quando eu fecho a porta tento não pensar mais em trabalho, e meu lugar preferido na casa é a sala e cozinha integrados, onde recebo amigos e onde me encontro comigo mesmo. Eu amo o meu vazio”, diz ele, que não tem nem mesmo um cachorro ou gato pra chamar de companhia.


Esta disciplina encontrada na concepção dos espaços ecoa nas demais esferas da vida de Luke, que se mostra um rapaz que cuida da saúde de forma consciente, com exercícios e dieta. “Tudo isso me ajuda a equilibrar a mente e é benéfico para eu não surtar”, brinca.


DO MUNDO DAS IDEIAS

Embora a arte e criatividade sempre estiveram presentes desde a tenra infância (quando ganhou concursos de poesia do Marista e destacou-se também em artes visuais) a ideia de fundar sua própria agência de criação veio bem mais tarde em sua vida. Tudo começou quando nas cadeiras do terceiro ano do curso de Administração na UEM, Luke sentiu grande afinidade pela disciplina de marketing. Muito mais voltada a estratégias e resultados, o marketing conceituado na esfera da administração deu a Luke uma visão prática que carrega consigo até hoje. “Marketing pra mim não é só arte bonita, é entrega de propósitos e metas comerciais”.


Da afinidade com o tema surgiu a ideia de fazer o TCC na área e, por fim, buscar um estágio em agência de propaganda. “Só fui admitido pela minha fluência em inglês”, confessa. Ao trabalhar em agências renomadas, que cultivavam a boa e velha propaganda, Luke deixou seu dom natural aflorar sem ter necessariamente um plano definido. “Eu me formei achando que iria buscar uma carreira na gestão de multinacionais, e quando percebi estava trabalhando em agência de propaganda e atendendo diversos amigos em particular”, explica.


Quando percebeu, sua carteira pessoal de clientes estava maior e mais interessante do que trabalhar em agência, e assim surgiu a Netuno. Hoje com um portfólio extenso de marcas muito bem conhecidas por todos nós, maringaenses, Luke diz se orgulhar de ir a um lugar onde participou da criação do nome e de todo o conceito da marca. “Eu amo ver como tudo isso agregou valor ao produto e traz lucro e resultado ao empresário”.


Neste aspecto, percebo que não é apenas sua formação em administração que justifica sua tendência por vislumbrar o marketing pela ótica dos resultados, mas também o fato de ser filho de Paulo Abrão, um empreendedor raiz, que fez história não apenas com a Kalahari (casa noturna badalada na época), mas também teve empresas de diversos outros ramos, como casas noturnas e de shows, frigorífico e hoje estabeleceu-se no setor de alumínio.


Da mãe, Luke herdou a sensibilidade para o belo, a veia artística, o culto ao culto. O livro que abriu esta matéria, bem como a maioria dos outros consumidos vorazmente por Luke (em média 3 livros por mês), são indicações ou trocas feitas com sua mãe, com quem depois discute amenidades e compartilha conhecimentos e insights sobre os mesmos.


Das suas lembranças em família, as mais vivas foram vividas na chácara Kalahari, onde já se sentou à mesa com artistas como Shakira, Carlinhos Brown, Paula Toller, Ivete Sangalo e Rogério Flausino. Não à toa, traz consigo uma paixão por música, consumida através de Vinyl. “Sempre que um artista que gosto lança um vinyl, eu compro”. Na sua coleção, não faltam Taylor Swift, Drake e diversas trilhas sonoras de filmes, como Bonequinha de Luxo.


E por falar em filme, foi O Fabuloso Destino de Amélie Poulain que lhe deu o ímpeto de, após assistir, matricular-se no francês, tornando-o fluente. Já o espanhol veio da paixão por Rebelde (Oi?), levando-o também a matricular-se e estudar formalmente até a fluência.


Essa persistência (e resiliência, para usar a palavra da moda) foram muito necessários para que Luke pudesse enfrentar e superar o período da pandemia, um tanto drástico para ele em termos de negócios. “A Netuno tinha 5 anos de vida e estávamos no ápice, com clientes pelo Brasil todo, tendo que viajar até 3x por mês para atender nossas demandas, e de repente na pandemia nosso maior contrato ofereceu uma redução de 87% no valor e diversos outros cancelaram, foi uma época difícil e sombria”, desabafa. Contudo, ao lado da sócia Taline Corrêa Mosna, reestruturaram toda a empresa, com foco muito mais acirrado no mercado premium, fazendo desta uma das maiores características da Netuno até hoje.


E para encerrar esta matéria em paz com os verdadeiros amigos de Luke, é preciso registrar: sua pele é de porcelana, e ele jura que é fruto apenas de boa hidratação e sabonete adequado ao tipo de pele. Aaaaaah vai cagar Luke!










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