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Lençóis

Um passeio pelos cenários surreais e paradisíacos do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses se tornou o destino preferido de Mônika Ganem e Beto Fráguas, que contam com exclusividade para a WIT tudo sobre essa descoberta fantástica


TEXTO VINÍCIUS LIMA FOTOS ACERVO MÔNIKA GANEM E BETO FRÁGUAS

Durante muitos e muitos anos, Mônika e Beto, tal qual grande parte dos brasileiros, acabaram protelando suas viagens para destinos nacionais ao traçar um comparativo com os valores muito similares para destinos internacionais como Aruba, Cancun, Estados Unidos… O grande divisor de águas veio durante a pandemia, quando viajar, para qualquer destino que fosse, se tornou um desafio.


Mônika viu nesta oportunidade a possibilidade de conhecer tão sonhados destinos de nosso exuberante país, como Bonito no Mato Grosso, Inhotim em Minas Gerais e, por mais de uma vez, Lençóis Maranhenses, destino pelo qual se

a-pai-xo-na-ram. “Quando chegamos lá e nos deparamos com aqueles cenários paradisíacos, todos concordamos que aquele era o lugar mais lindo que tínhamos pisado, mais do que Capri, mais do que Algarve, é simplesmente impossível colocar em palavras”, diz Mônika.

 

CHEGANDO NO PARAÍSO

Para chegar no paraíso dos Lençóis Maranhenses, Mônika embarcou com a família no aeroporto de Maringá, fizeram conexão em São Paulo e desembarcaram em São Luís do Maranhão, onde alugaram um carro e encararam mais 250km de estrada (aproximadamente 4 horas de viagem) até Barreirinhas, uma cidade que fica às margens do Rio Preguiças e é considerada a “porta de entrada” dos lençóis.


Barreirinhas tem, inclusive, um aeroporto por meio do qual é possível chegar voando Azul. O tráfego aéreo ali acaba sendo intenso por causa dos inúmeros passeios de sobrevoo dos lençóis feito por turistas. São passeios regulamentados pela Associação dos Operadores de Turismo do Município de Barreirinhas, que fazem parte do conselho consultivo formado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão federal que faz a gestão do Parque Nacional.


Este e todos os outros passeios (seja de buggy, de 4x4, de quadriciclo, ou mesmo a cavalo) têm os valores tabelados pela associação, e são muito simples de serem contratados. Esta é uma grande vantagem uma vez que o acesso ao parque é permitido apenas com pessoas credenciadas, e existem sérias restrições quanto ao transporte de bebidas e qualquer tipo de alimento dentro dos domínios do parque nacional.


Mônika explica que é possível hospedar-se já em Barreirinhas, em uma das inúmeras pousadas ou hotéis presentes na cidade, e de lá fazer os passeios que levam até os lençóis. Na ocasião em que hospedou-se na cidade, Mônika ficou com a família em um dos chalés do Porto Preguiças Resort, uma hospedagem simples e charmosa.


Mônika explica, porém que Barreirinhas, com seus 63 mil habitantes, é uma cidade portuária comparável a Porto Rico às margens do Rio Paraná, “um fervo” nas palavras dela. Além disso, o acesso aos lençóis partindo de Barreirinhas são mais distantes e, por isso, mais demorados. Ela relata que uma de suas melhores experiências em lençóis foi hospedar-se em Atins, um vilarejo mais tranquilo e mais isolado, acessível através de voadora (nome local para o barco que faz esse tipo de transporte) saindo de Barreirinhas pelo Rio Preguiças e que tem duração média de 40 minutos.


O passeio de voadora já é um espetáculo à parte. É possível, inclusive, contratar o passeio durante o pôr do sol, com certeza um dos mais lindos que já registramos por aqui.


Chegando em Atins você vai encontrar restaurantes mais charmosos, beach clubs e hotéis frequentados principalmente por estrangeiros. “Em uma de nossas viagens optamos por ficar 4 noites hospedados em Atins, de onde saímos para todos os passeios aos lençóis; é um turismo que não dá pra chamar de sofisticado, mas o rústico é totalmente coerente com um local onde a conservação ambiental é tão presente e a natureza tão intocada, tão exuberante”, relata Mônika.

 

A DOIS PASSOS DO PARAÍSO

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é uma área de 155 mil hectares, dos quais 90 mil são constituídos de dunas livres e lagoas interdunares. A possibilidade de andar pelas dunas e banhar-se nas lagoas tornaram-se as principais motivações dos visitantes que procuram o parque durante o ano todo. Beto Fráguas explica, porém, que a melhor época do ano para visitar os lençóis é do finalzinho de junho até agosto, quando as lagoas estão no limite de cheias, em virtude da estação chuvosa que vai de janeiro até maio.


Por serem alimentadas pelas chuvas e drenadas pelas dunas de areia fininha e branca, as lagoas de lençóis são de água doce e cristalina, criando uma diversidade de cenários paradisíacos que transformou Lençóis em um dos pontos turísticos brasileiros mais cobiçados lá fora.


Na primeira vez que foram aos lençóis, Mônika conta que comprou sapatilhas de neoprene para a família toda, achando que queimariam os pés na infinidade de areia. Ledo engano. Por causa da brisa frequente as dunas presentes em Lençóis estão sempre em movimento, e conservam sua superfície sempre fria e muito agradável ao toque. “A areia é sempre fria e as águas sempre mornas”, explica Mônika.


A extensão do parque é tão grande que, mesmo em alta temporada, é muito fácil encontrar “uma lagoa para chamar de sua”, para mergulhar e passar o dia tomando sol sem a interferência de outros turistas. Como todo passeio é feito obrigatoriamente com a presença de um guia e um motorista, o bacana é poder se valer do conhecimento dessas pessoas para te levar a lugares que melhor se encaixam com seu gosto. “Lembro-me que queríamos visitar uma mesma lagoa na qual fomos no ano anterior, mas descobrimos através do guia que naquele ano ela já não existia mais… Foi inevitável não fazer uma analogia das dunas e lagoas com nossa própria vida, cada hora em um lugar, ora de abundância, ora de escassez, elas mudam ao sabor do tempo e do vento, como a gente”, diz Mônika.

 

SANTO AMARO, A UM PASSO DO PARAÍSO

Encantados e inebriados com as belezas de lençóis vistas pela perspectiva da charmosa Atins, Mônika e Beto se depararam com uma moradora local que disse que se eles se encantaram com as paisagens de Atins, iriam gostar ainda mais de Santo Amaro, outro município servido pelo parque nacional de lençóis.


Ávidos por novos horizontes, Mônika e Beto toparam o desafio e partiram para Santo Amaro. Beto explica que Santo Amaro é uma cidade que até 2021 era acessível apenas por veículos off road atravessando a parte rasa do leito do Rio Alegre. A ponte inaugurada em 2021 tem 120 metros de extensão, e tem impulsionado o turismo na região. “O grande diferencial de Atins para Santo Amaro é que a infraestrutura de turismo está só começando em Santo Amaro, o que na nossa opinião faz do lugar ainda mais atraente e charmosos; além disso, diferentemente de Atins onde os passeios exigem um deslocamento de pelo menos 20 minutos para acessar a área dos grandes lençóis, Santo Amaro está literalmente dentro do parque nacional, tornando possível acessar as dunas com uma caminhada de poucos minutos”, explica Beto.


Com relação às belezas naturais, a família é unânime ao dizer que, de fato, Santo Amaro consegue superar Atins em beleza e exuberância. “O que mais nos chamou a atenção em Santo Amaro é que as dunas têm altura média, tornando possível vislumbrar uma extensão muito maior do parque em alguns pontos mais altos, é como se fosse uma visão aérea, com os pés no chão. É indescritível”, explica Mônika.


É em Santo Amaro que está localizada a maravilhosa mansão de Nelsinho Piquet, disponível para locação pelo AirBnb (Casa Lençóis) pela bagatela de R$ 16 mil a diária.


Mesmo acessível a pé, a família de Mônika também contratou passeios saindo de Santo Amaro, o que segundo ela vale muito a pena. “Os passeios não são baratinhos, principalmente para quem não quer fazer em grupo, mas estes passeios entregam uma experiência sensorial incomum. Além de visualmente te entregar um dos lugares mais lindos do mundo, você pode nadar em águas cristalinas, doce, morna, sem poluição, e com um silêncio absoluto que te conecta com Deus e o universo. Quando eu chego em lençóis eu choro, porque é muito emocionante”, diz Mônika cheia de entusiasmo.


Para Beto, divulgar lençóis se tornou uma das metas de vida da família. “É impressionante a quantidade de europeus presente em Lençóis, é um destino muito desejado no mundo, principalmente por quem gosta de eco turismo e acredita que é possível desfrutar e preservar ao mesmo tempo”, conclui Beto.

 

 















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